Como a agricultura moderna está ajudando o Brasil a alimentar o mundo

26/10/2018 – Leonardo Sales é um criador de gado no semiárido norte do estado de Minas Gerais. Agricultores brasileiros como ele fornecem 23% do gado do mundo, ganhando US $ 31 bilhões do lucrativo setor de carne bovina. No passado, a escassez de água tornou cada vez mais difícil para muitos deles atender à crescente demanda. Mas agora um método de agricultura mais sustentável está ajudando Sales e seus colegas fazendeiros a trazer de volta à vida a terra desgastada.

“Recuperei mais de 100 hectares de pastagens degradadas em menos de um ano”, disse Sales em uma conferência sobre desenvolvimento sustentável em Brasília. Isto é graças a um método de agricultura conhecido como Integração de lavoura, pecuária-floresta (ILPF), ou ‘Sistema Integrado’. Neste sistema, os agricultores combinam pastagens, florestas e campos na mesma área.

Ele permite que o solo seja usado durante todo o ano, aumentando os rendimentos e evitando seu esgotamento por conta do plantio de um único produto. Isso também significa que, com assistência técnica e gerencial adequada através do serviço de extensão, os agricultores podem expandir seus rebanhos de gado sem destruir as florestas.

“O desmatamento está absolutamente fora de questão”, disse Sales.

Nos últimos anos, o sistema vem ganhando destaque. No Brasil, por exemplo, sua implementação aumentou significativamente na última década, com uma adição de quase 10 milhões de hectares. Pesquisa encomendada pela Rede de Fomento do Brasil e realizada pelo Grupo Kleffmann mostra que durante a safra 2015/2016, os sistemas integrados de produção agrícola cobriram um total de 11,5 milhões de hectares no Brasil. Quarenta e cinco por cento dessas áreas integradas estão concentradas em três estados brasileiros: Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rio Grande do Sul.

A principal razão pela qual os pecuaristas adotaram os sistemas integrados foi recuperar e restaurar as pastagens. A melhoria dos rendimentos e a redução do risco financeiro geral também foram fatores importantes. Para os agricultores, por outro lado, aumentar a rentabilidade e reduzir os riscos financeiros foram os dois principais motivos para a adoção dessa prática.

O sistema oferece muitos benefícios ambientais, incluindo uso mais eficiente da terra, sequestro de carbono, aumento de matéria orgânica no solo, menor erosão, melhoria do microclima e melhor bem-estar animal. Recursos como água, luz, nutriente e capital são usados com mais eficiência também. E o sistema desencoraja o cultivo de novas áreas, protegendo assim os habitats nativos.

Em termos econômicos, o sistema integrado reduz custos, aumenta a produtividade, permite maior diversificação e reduz em parte os riscos econômicos inerentes à agricultura e pastoreio, como o impacto do clima e dos mercados voláteis. Uma vez que exige mão de obra ao longo das estações, pode impulsionar o emprego. E pode ser aplicado a todas as fazendas, independentemente do tamanho.

Restam, no entanto, obstáculos significativos, como a dificuldade de comercializar certos produtos, especialmente das florestas. O sistema integrado também requer o uso de mão-de-obra altamente qualificada, bem como novas máquinas, que podem gerar custos adicionais.

Figura 1 – Comparação entre os diferentes sistemas integrados utilizados pelos produtores

Imagem: Kleffman

Em última análise, superar esses obstáculos é um desafio que vai muito além dos agricultores brasileiros. Entre agora e 2050, a população do planeta deve aumentar para 9,7 bilhões, de seus atuais 7,3 bilhões. O aumento da renda em todo o mundo permitirá que mais pessoas possam comprar carne, o que aumentará o consumo de carne bovina. Isto é particularmente alarmante, uma vez que a pecuária é considerada um dos principais contribuintes para a emissão de gases de efeito estufa. No entanto, pastagens bem manejadas combinadas com florestas poderiam aliviar esse problema e, por exemplo, oferecer uma forma de sequestro de carbono, já que as árvores absorvem dióxido de carbono.

No Brasil, 160 milhões de hectares de pastagens são usados para gado de corte, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Desse total, 6,2% foram degradados. Nos últimos 20 anos, a produção pecuária brasileira aumentou em 61%, enquanto as pastagens diminuíram em 11,5%, sinalizando maior produtividade e melhor uso do solo.

De fato, pastagens permanentes bem manejadas têm uma taxa maior de acúmulo de carbono no solo do que fazendas que integram a pecuária e as colheitas, e uma taxa mais alta do que as pastagens degradadas. De fato, eles têm uma taxa de acumulação ainda maior do que os sistemas de cultivo exclusivos. Isso porque a manutenção de pastagens de boa qualidade permite um maior acúmulo de matéria orgânica e maior retenção de carbono no solo.

Recuperar pastagens degradadas e manejar melhor as pastagens existentes poderia reduzir as emissões em 300 toneladas de CO2 equivalente por hectare. Isso é mais que suficiente para compensar as emissões do gado. Com isso em mente, o apoio público e privado para transformar as fazendas de gado do Brasil poderia nos aproximar de nossos objetivos climáticos coletivos enquanto alimentamos uma população crescente.

Fonte: World Economic Forum

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